terça-feira, 22 de março de 2011

VAMOS LEVANTAR!



Dar descanso para a cadeira resulta em cintura mais fina. Medida é indicador de doença cardíaca.

Levantar mais vezes, mesmo que seja para beber água ou mudar o canal da televisão, diminui o risco de desenvolver doenças cardíacas. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Queensland, Austrália, em estudo publicado na revista "European Heart Journal". Segundo a pesquisa, até quem é sedentário, mas faz várias pausas para levantar durante o dia, tem menor risco do que quem faz atividades físicas e fica longo períodos sentado. A pesquisa acompanhou 4.757 pessoas com mais de 20 anos entre 2003 e 2006. Cada voluntário recebeu um aparelho que monitorou a atividade física durante sete dias.


Também foram medidos os níveis de quatro marcadores de risco de doença cardiovascular: a quantidade de uma proteína que sinaliza a formação de aterosclerose, os níveis de HDL (colesterol "bom"), triglicerídeos e a circunferência abdominal. Quem se movimentou mais teve todos os índices melhores. A diferença mais significativa foi na circunferência abdominal: os participantes que ficaram menos tempo sentados sem pausas tiveram, em média, 4,1 centímetros a menos de cintura do que as pessoas que ficaram paradas na mesma posição.
Já se sabia que a atividade física moderada ou intensa reduz o risco cardiovascular. O surpreendente é que o estudo mostra que mesmo as pequenas quebras no sedentarismo já ajudam. Uma das explicações é que mesmo as atividades físicas mais leves aumentam o gasto energético total diário e, consequentemente, ajudam a diminuir a circunferência abdominal.

A gordura intra-abdominal está relacionada à probabilidade maior de desenvolver aterosclerose e também ao aumento do colesterol, e qualquer redução já representa uma queda no risco.
O recomendado, segundo a Federação Internacional de Diabetes, é que mulheres tenham no máximo 80 cm de cintura e homens, 94 cm (peguem a fita métrica e mãos à obra!).
Além de aumentar o gasto energético total, sair da cadeira e movimentar os músculos das pernas ativa a circulação sanguínea, o que melhora a pressão arterial e ajuda no gasto calórico, facilita o trabalho do coração e além de previne a formação de coágulos.


Mas a pesquisa é controversa. A Associação Européia de Cardiologia discorda do estudo. Segundo a Associação, a atividade física só traz benefícios quando é realizada a longo prazo e frequentemente e diz que levantar poucas vezes não muda a vida de ninguém. Afirma também que qualquer mudança de hábito para o sedentário faz diferença nas estatísticas, mas isso não quer dizer que o risco cardíaco vá ficar menor.


Por via das dúvidas, é melhor sair da cadeira e dar uma esticadinha nas pernas algumas vezes ao dia. Uma coisa é certa: mal não vai fazer.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CUIDADOS COM OS ANTIINFLAMATÓRIOS.


Cientistas da Universidade de Berna, na Suíça, analisaram dados de 31 estudos com mais de 116 mil pacientes que tomavam naproxeno (Flanax), ibuprofeno (Alivium), diclofenaco, celecoxibe (Celebra), etoricoxibe (Arcoxia), rofecoxibe (Vioxx), lumiracoxibe (Prexige) ou placebo.

Em números absolutos, o risco cardiovascular de quem tomou essas drogas foi baixo, mas, em comparação com quem usou placebo, a diferença foi significativa.

Os pacientes que tomaram Vioxx e Prexige (já retirados do mercado em 2004 e 2008 respectivamente) tiveram o dobro de ocorrências de infarto.

Já o ibuprofeno resultou em um risco três vezes maior de derrame. O diclofenaco causou quatro vezes maios mortes por problemas cardiovasculares.

Entretanto, o número de infartos e derrames foi baixo em relação ao total de pessoas envolvidas no estudo. O que significa basicamente o seguinte: os aintiinflamatórios quando administrados pelo tempo prescrito tem poucas chances de causar efeitos colaterais significativos.

De qualquer maneira, essa é mais uma demonstração de que a automedicação pode trazer conseqüências graves. Limite-se a tomar remédios prescritos pelo seu médico, e pelo tempo orientado. Afinal, a medicação é para ajudar e não para causar mais problemas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ARTRO NO CONGRESSO DE MEDICINA DO VÔLEI.

Foi realizado em Bled, na Eslovênia, entre os dias 13 e 15 de janeiro, o Volleyball Medicine Congress 2011, onde o Dr. Alvaro Chamecki foi convidado como palestrante.

O congresso foi organizado pela Federação Internacional de Vôlei e teve como objetivos discutir a prevenção, diagnóstico e tratamento das lesões relacionadas à prática do esporte.

Mais uma vez a ARTRO atravessa fronteiras para, unindo-se a inúmeros outros colegas de vários países, dar a sua contribuição a comunidade científica mundial.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

2011

A ARTRO deseja a todos um Feliz Natal e um 2011 repleto de três coisas: saúde, saúde e saúde.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SURFANDO NAS ONDAS DA PREVENÇÃO.


Muito embora não haja números no Brasil, tem se observado um aumento nos casos de lesões causadas pelo surfe. Mesmo sem um estudo formal, as altas taxas de lesões podem ser explicadas pela popularização da prática no litoral brasileiro e pelas mudanças no perfil dos surfistas - que passaram a praticar o esporte por muito mais tempo ao longo da vida.

E não é só essa a explicação. As transformações na estrutura da prancha e o aumento da idade dos praticantes também são fatores que mudaram o perfil do esporte no país. Hoje, não é incomum observarmos senhores beirando a quinta década de vida se equilibrando entre uma onda e outra. Em toda a costa brasileira, estima-se, são cerca de 800 mil surfistas, entre amadores e profissionais. E o aumento do número de surfistas com problemas é tão expressivo que já existe até um grupo de estudo criado em Florianópolis para avaliar esse crescimento indesejado.

Além dos traumas causados por quedas e batidas na prancha, há também prejuízos causados pelo esforço repetitivo de algumas articulações durante a remada - durante uma hora de surfe, o esportista passa cerca de 40 minutos sobre a prancha, remando - e na hora de pegar onda, que podem sofrer sobrecarga e desgaste. As áreas mais atingidas são coluna, quadril, ombros e joelhos. Os movimentos constantes de rotação da bacia e dos joelhos com um pé fixo na prancha, durante as manobras sobre as ondas, são as principais origens das lesões.

Com essa percepção, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia fez um alerta para o alto risco de lesões em músculos e articulações por causa do esporte. Para prevenir esses danos, praticantes do surfe devem realizar exercícios que não fogem da orientação de outros esportes: alongamento e aquecimento antes de entrar na água e fortalecimento da massa muscular para suportar as exigências do esporte.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FRATURA "ESTRESSADA".

Antes pouco comum na prática diária do consultório, as fraturas por estresse tem aumentado significativamente nos últimos anos. Ligado diretamente ao crescimento da prática de atividade física, pode ocorrer com dançarinos, atletas de futebol, tênis, basquete e vôlei. Porém a maior incidência é mesmo nos praticantes de atletismo, principalmente nos corredores de longa distância.

E o que é fratura por estresse? Apesar do nome, nada tem a ver com o estresse emocional, aquele que a gente conhece bem do dia-a-dia. O que ocorre é uma sobrecarga no osso maior do que a sua capacidade de regeneração. E esse desequilíbrio leva a uma alteração na parede óssea, causando um processo inflamatório e levando ao principal sintoma, que é a dor. Em metade dos casos de fratura por estresse a perna (tíbia) é a região mais acometida.

Mas os ossos não foram “planejados” justamente para aguentar essa função? Se houver um preparo gradual antes, sim. Caso contrário, vai dar confusão. Para que se tenha uma idéia, a cada quilômetro que um corredor percorre, mais de 80 toneladas de força podem ser absorvidas pelos ossos das pernas e dos pés. Consegue imaginar isso? É como se, ao final de uma corrida de 10 quilômetros, você estivesse carregando um elefante no colo. Fraturas por estresse podem acontecer em virtude do aumento da carga sobre o osso (por ex: engordar uns quilinhos, usar tênis sem amortecimento) ou do aumento do número de vezes que o osso sofre estresse (ex: aumentar a quilometragem de treinamento). A teoria atualmente mais aceita para explicar essa lesão é de que a musculatura enfraquecida reduz a absorção de choque do membro inferior, transferindo e sobrecarregando determinados pontos da estrutura óssea.

Para evitar o problema, invista no fortalecimento e no alongamento muscular, não inicie atividades físicas sem orientação especializada e use sempre tênis adequados (eu disse adequados, não os mais caros) para ajudar a absorver os impactos. Mas se a dor já está presente, faça a única atividade física permitida nesse caso: corra para o médico.

domingo, 31 de outubro de 2010

ALONGAMENTO: A REGRA NÃO É CLARA.


O alongamento já foi considerado requisito para a prática de exercícios e prevenção de lesões. Tornou-se popular como uma forma de recompensar os músculos massacrados por corridas, levantamento de peso ou pelo pula-pula da aeróbica. A relação parecia óbvia: contraiu? Agora, alongue. Mas como quase nada no funcionamento do corpo é assim tão simples, a corda começou a esticar para os defensores da causa. Nos últimos anos, surgiram estudos mostrando que se alongar antes do exercício, além de não prevenir lesões, eleva o risco de que ocorram. A notícia agradou a turma que já não gostava muito da prática, mas se sentia culpada por deixar de fazer algo tão recomendável para um treino saudável. E não convenceu os fiéis defensores do estiramento muscular.
Para complicar a vida de quem busca uma regra clara -alongar ou não- a última grande pesquisa sobre o tema chegou à decepcionante conclusão que... tanto faz!O maior estudo sobre alongamento feito até hoje, envolvendo 1.400 pessoas de 13 a 60 anos, mostrou que o número de lesões entre quem se alongou ou não antes de correr foi estatisticamente igual. Feita pela organização governamental norte-americana para corrida e caminhada Track and Field, a pesquisa foi um balde de água fria para as correntes pró e contra alongamento. Ele nem previne nem induz lesões, afirmam os autores do trabalho. O mais chato é que, nesse estica e puxa entre entusiastas e críticos do alongamento, o cidadão que quer simplesmente se exercitar da forma mais adequada possível fica sem saber o que fazer. Segundo a pesquisa, a ideia de que os exercícios deixarão os músculos mais alongados também é inexata.
E após o treino, é para alongar como? Aqui também as posições se dividem. E tudo depende da forma como os exercícios são feitos. Quem acha que precisa atingir a extensão máxima e que sentir dor é sinal de que está se alongando, pode estar causando o efeito oposto. Para algumas pessoas, vale fazer movimentos suaves, prestando atenção na organização postural e pensando no que está fazendo. Só não vale fazer qualquer coisa porque todo mundo faz. Por essas e outras, o melhor a fazer é treinar o corpinho usando a cabeça.